{"id":1841,"date":"2022-11-15T15:48:06","date_gmt":"2022-11-15T18:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/?p=1841"},"modified":"2022-11-15T15:48:06","modified_gmt":"2022-11-15T18:48:06","slug":"sistemas-alimentares-e-sindemia-sao-tema-de-debate-na-cop27","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/sistemas-alimentares-e-sindemia-sao-tema-de-debate-na-cop27\/","title":{"rendered":"&#8221;Sistemas Alimentares e Sindemia&#8221; s\u00e3o tema de debate na COP27"},"content":{"rendered":"A pesquisadora Aline Carvalho, do Sa\u00fade Planet\u00e1ria Brasil e do Sustentarea\/USP, dividiu o painel sobre adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com representantes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil<\/p>\n<p>Publicado em https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/ambicoes-e-desafios-para-a-adaptacao-no-brasil\/<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-a6a19a3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a6a19a3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><b><i>No \u00faltimo ano, foram registradas 800 mortes por desastres naturais no Brasil, segundo levantamento da Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Iyaleta. As popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas no campo e nas cidades, principalmente compostas por pessoas negras, de baixa renda, habitantes das periferias, especialmente m\u00e3es de fam\u00edlia e crian\u00e7as, s\u00e3o as mais afetadas pela crise clim\u00e1tica. A gest\u00e3o urbana torna-se fundamental para evitar novas trag\u00e9dias.<\/i><\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-88f69b3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"88f69b3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><em>Por Daniela Vianna e Renata Rodriguez, ClimaInfo<\/em><\/p>\n<p>O painel \u201cAmbi\u00e7\u00f5es e Desafios para a Adapta\u00e7\u00e3o\u201d, realizado no Brazil Climate Action Hub na \u00faltima sexta-feira, 11 de novembro, e organizado por um grupo de organiza\u00e7\u00f5es (lista abaixo), foi dividido em duas mesas de debates acerca da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 crise clim\u00e1tica e de seus mecanismos de financiamento. Esse \u00e9 um tema central da agenda da Confer\u00eancia do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas deste ano (COP27), no Egito. No \u00e2mbito geral da COP, o debate envolve, principalmente, os percentuais dos recursos do financiamento clim\u00e1tico que ser\u00e3o destinados \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o e \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na primeira mesa, \u201cPol\u00edticas de Adapta\u00e7\u00e3o e Cidades\u201d, o ge\u00f3grafo Diosmar Filho, pesquisador da Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Iyaleta, apresentou os dados do estudo \u201cSum\u00e1rio: Estrat\u00e9gias para planos nacionais de adapta\u00e7\u00e3o no caso Brasil\u201d, sobre desigualdades e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em \u00e1reas urbanas na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal. O estudo, elaborado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), envolve transfer\u00eancia de conhecimento em pesquisas sobre sa\u00fade e ordenamento territorial, e tem como desafio o mergulho em dados sobre as desigualdades urbanas na regi\u00e3o Norte e Nordeste do Brasil. O estudo aponta para a necessidade de revis\u00e3o do Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 Mudan\u00e7a do Clima, com a cria\u00e7\u00e3o de metas que considerem as realidades de cidades no que tange ao desmatamento, aos efeitos do aquecimento superficial urbano, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e de sa\u00fade, ao objetivo de desigualdade zero e aos desastres clim\u00e1ticos que j\u00e1 afetam \u2013 e v\u00e3o ser agravados em intensidade e frequ\u00eancia \u2013 nas regi\u00f5es Norte e Nordeste do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cEntre 2015 e 2021, de acordo com a pol\u00edtica de nega\u00e7\u00e3o implantada no Brasil, percebemos o aumento de dados do Rio Grande do Norte de 145 a 4.775 pessoas que morreram e est\u00e3o sendo afetadas por desastres naturais\u201d, apontou Diosmar, dizendo que \u201cem Porto Velho, por exemplo, est\u00e3o vivendo o aquecimento superficial. J\u00e1 nos estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia e Rio Grande do Norte, tivemos o aumento de chuvas\u201d. Segundo ele, \u00e9 urgente que os Estatutos das Cidades voltem a ser um Estatutos para a cidades. \u201cHoje \u00e9 um instrumento de gentrifica\u00e7\u00e3o, com aumento das desigualdades enquanto tentamos criar mecanismos de resili\u00eancia. Temos, por exemplo, de debater temas costeiros, de bacias hidrogr\u00e1ficas urbanas\u201d.<\/p>\n<p>Daniela Costa, gerente de Clima e Justi\u00e7a do Greenpeace Brasil, disse que a organiza\u00e7\u00e3o, por reconhecer a urg\u00eancia da crise clim\u00e1tica no Brasil e no mundo, lan\u00e7ou uma campanha focada em eventos extremos e adapta\u00e7\u00e3o, identificando \u00e1reas de vulnerabilidade e investindo na press\u00e3o p\u00fablica. A ci\u00eancia e a realidade mostram que mitigar n\u00e3o \u00e9 mais suficiente, \u00e9 preciso adaptar. A iniciativa trabalha com jovens perif\u00e9ricos de centros urbanos para que sejam agentes da mudan\u00e7a, fazendo monitoramento e a identifica\u00e7\u00e3o de problemas e solu\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios e colocando press\u00e3o no poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cEssa COP no Egito \u00e9 \u00fanica, porque nos faz refletir que nem sempre os mais impactados contribu\u00edram para a crise clim\u00e1tica\u201d, disse ela. \u201cNo Brasil, com os maiores \u00edndices de desigualdades do mundo, nem todos est\u00e3o no mesmo barco. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a salva-vidas e geralmente as classes mais oprimidas e marginalizadas da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e3o sofrendo mais com os eventos clim\u00e1ticos extremos. Existe um descaso com a vida\u201d, ressaltou, apontando que as cidades est\u00e3o \u00e0 frente dessa crise que afeta principalmente as periferias.<\/p>\n<p>Mencionando pesquisa recente do Instituto P\u00f3lis, Daniela advertiu que os mais expostos a eventos extremos no Brasil s\u00e3o pessoas negras, de baixa renda, que habitam regi\u00f5es perif\u00e9ricas e, em especial, m\u00e3es de fam\u00edlia. \u201cAs pr\u00f3prias cidades t\u00eam suas desigualdades. A cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, que registra 37% de popula\u00e7\u00e3o negra em seu territ\u00f3rio, v\u00ea esse n\u00famero crescer para 55% nas ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco e nas periferias\u201d, exemplificou. \u201cA distribui\u00e7\u00e3o dos impactos \u00e9 sentida de maneira desproporcional, ent\u00e3o, n\u00e3o podemos falar de adapta\u00e7\u00e3o sem falar da justi\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com foco na solu\u00e7\u00e3o, ela apontou algumas estrat\u00e9gias. Primeiro, a necessidade de inclus\u00e3o das pessoas mais impactadas para o centro da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, com pr\u00e1ticas e pol\u00edticas de desenvolvimento que envolvam o conhecimento dos povos tradicionais e perif\u00e9ricos sobre a rela\u00e7\u00e3o das pessoas com os seus respectivos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 ligado \u00e0s Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs, que s\u00e3o o compromisso de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa assumido pelo Brasil na ONU) e a revis\u00e3o dos planos nacionais de adapta\u00e7\u00e3o, com incorpora\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a clim\u00e1tica como eixo norteador e com sistemas de monitoramento com participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Por fim, ela exaltou o ponto \u00e9 o financiamento. \u201cEstamos lutando para que os pa\u00edses desenvolvidos implementem o compromisso que foi assumido de colocar 100 bilh\u00f5es (de d\u00f3lares) ao ano aos pa\u00edses em desenvolvimento. Vemos que s\u00f3 22% desses recursos foram para adapta\u00e7\u00e3o e que 72%, entre 2016 e 2020, chegaram na forma de empr\u00e9stimos, o que n\u00e3o \u00e9 eficaz para garantir a justi\u00e7a clim\u00e1tica. Queremos que o financiamento siga metas e objetivos de longo prazo para que tenha progresso\u201d, cobrou Daniela.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Rocha, da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, contou que a organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 investindo em solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza para ajudar tanto em a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o quanto de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Entre as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o a gest\u00e3o de duas reservas privadas que estocam carbono e biodiversidade dentro dos seus limites e contribuem com resili\u00eancia regional; o engajamento da sociedade, por meio de campanhas e comunica\u00e7\u00e3o sobre conserva\u00e7\u00e3o, oceanos e turismo em \u00e1reas naturais; e o financiamento de cases e solu\u00e7\u00f5es para adapta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o costeira e trabalhado com a cultura oce\u00e2nica. \u201cA Funda\u00e7\u00e3o prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza como uma forma de incentivar o uso da infraestrutura natural, como parques lineares, prote\u00e7\u00e3o dos mananciais das cidades, visando conservar os recursos h\u00eddricos e manter a resili\u00eancia e qualidade de vida das cidades, evitando que a popula\u00e7\u00e3o esteja exposta a esses eventos clim\u00e1ticos extremos, que est\u00e3o matando pessoas e dilapidando patrimonios publicos\u201d, afirmou Rocha.<\/p>\n<p><b>Sistemas Alimentares, Fome e Sindemia<\/b><\/p>\n<p>Na segunda mesa de debates, \u201cEstrat\u00e9gias e adapta\u00e7\u00f5es para a urgente transi\u00e7\u00e3o desses temas alimentares\u201d, foi abordado o desafio global envolvendo os sistemas alimentares frente \u00e0 crise clim\u00e1tica. A professora Aline Carvalho, coordenadora do projeto Sustentarea, pela Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo ressaltou a import\u00e2ncia de \u201cum olhar sist\u00eamico para esse modelo de produ\u00e7\u00e3o e consumo para enfrentarmos essa crise clim\u00e1tica e social de maneira coordenada\u201d. Segundo ela, sistemas alimentares v\u00e3o muito al\u00e9m de cadeia de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas envolvem todos os atores e conex\u00f5es entre pessoas e institu\u00e7\u00f5es e est\u00e3o ligados aos impactos na sa\u00fade das pessoas e do planeta. Ela mostrou, com dados, as desigualdades envolvendo a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil \u2013 o maior exportador de soja e o terceiro maior exportador de milho do mundo \u2013, e apontou como essa forma de produ\u00e7\u00e3o de commodities consome muitos recursos naturais. Em 2021, 64% da soja produzida no pa\u00eds foi exportada, principalmente como insumo para ra\u00e7\u00e3o animal. Apresentou, ainda, um estudo, realizado em parceria com o WWF, sobre o \u00edndice multidimensional de sistemas alimentares sustent\u00e1veis brasileiros, onde foram utilizados 46 indicadores nas dimens\u00f5es ambiental, econ\u00f4mica, nutricional e social. A partir desses indicadores, os estados brasileiros foram classificados em \u201c4 Brasis\u201d. Na regi\u00e3o Centro-Oeste, concentram-se os\u00a0 estados que utilizam o agroneg\u00f3cio e que possuem impactos ambientais da produ\u00e7\u00e3o de alimentos mais importante do que o restante do pa\u00eds. Nas regi\u00f5es Sudeste e Sul, os problemas envolvendo o uso de agrot\u00f3xicos e a intoxica\u00e7\u00e3o por pesticidas \u00e9 muito mais alto. Na regi\u00e3o Nordeste, os maiores problemas envolvem a dupla carga de m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o; e, na regi\u00e3o Norte, existe uma crescente inseguran\u00e7a alimentar. \u201cPercebemos uma rela\u00e7\u00e3o inversa entre a dimens\u00e3o econ\u00f4mica e ambiental, ou seja, quanto maior o desenvolvimento econ\u00f4mico desses estados, menor \u00e9 a pontua\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, alertou, ressaltando a import\u00e2ncia da agricultura familiar para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos locais, para o consumo local e para a seguran\u00e7a alimentar do nosso pa\u00eds. \u201cTemos de buscar apontar alguns caminhos para que haja a rela\u00e7\u00e3o de ganha-ganha ou redu\u00e7\u00e3o de perdas, para enfrentarmos esses desafios de maneira eficaz.<\/p>\n<p>Let\u00edcia Turim, integrante do grupo Carta de Bel\u00e9m, falou da import\u00e2ncia de se falar em agriculturas, dada a diversidade de pr\u00e1ticas, modos de vida e impactos. \u201cAlimento n\u00e3o \u00e9 commodity, estamos falando de direitos humanos. O direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e adequada est\u00e1 prevista na nossa Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, lembrou. Ela ressaltou a import\u00e2ncia de se pensar no papel do agroneg\u00f3cio na produ\u00e7\u00e3o da fome e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cHistoricamente, a viol\u00eancia, a fome, a destrui\u00e7\u00e3o ambiental est\u00e3o intrinsecamente relacionadas \u00e0s cadeias de produ\u00e7\u00e3o de commodities agropecu\u00e1rias, porque est\u00e3o sob um modelo de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, de renda, de produtos, \u00e9 um modelo avesso \u00e0 diversidade\u201d, destacou. Let\u00edcia apontou, ainda, para o uso intensivo de m\u00e1quinas e agrot\u00f3xicos \u2013 existem hoje 1.970 agrot\u00f3xicos liberados no Brasil.<\/p>\n<p>Isabela Borga, coordenadora administrativa do Fundo Agroecol\u00f3gico (FUA) falou sobre as a\u00e7\u00f5es do fundo, baseadas em um estudo sobre como est\u00e1 o acesso \u00e0 terra pelos agricultores brasileiros, realizado, em 2019, na regi\u00e3o Sul de S\u00e3o Paulo \u2013 \u00e1rea com fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica. O estudo apontou problemas de acesso \u00e0 terra, dentre os quais disputas por terras agricult\u00e1veis, vulnerabilidade por troca de lideran\u00e7as, entre outros. O fundo arrecada recursos para a compra de terras, em \u00e1reas de mananciais, e a prote\u00e7\u00e3o das mesmas da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e do loteamento. Foram criados subprojetos a partir do fundo, como o que envolve o grupo de consumo, que mant\u00e9m os agricultores vendendo os seus produtos at\u00e9 que consigam comprar a primeira terra, o emergencial de fome, arrecadando R$ 40 mil para comprar alimentos agroecol\u00f3gicos, e o projeto da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas \u2013 Cintur\u00e3o+Verde \u2013 criado com o objetivo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas pela agricultura familiar no cintur\u00e3o verde de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Por fim, Janine Coutinho, ccoordenadora de programa alimentares e sustent\u00e1veis do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), destacou que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dissociar alimenta\u00e7\u00e3o adequada e o direito da alimenta\u00e7\u00e3o com a sua sustentabilidade). Ela falou o quanto o agroneg\u00f3cio est\u00e1\u00a0 adoecendo as popula\u00e7\u00f5es e o planeta. \u201cO agroneg\u00f3cio segue batendo recordes, mas vivemos em uma popula\u00e7\u00e3o em que todos os dias 33 milh\u00f5es de pessoas passam fome todos os dias no pa\u00eds.\u201d A representante do IDEC citou um estudo, publicado recentemente, mostrando que 57 mil pessoas morrem por ano, no Brasil, devido a doen\u00e7as decorrentes do consumo de ultraprocessados \u2013 uma pessoa a cada 10 minutos.<\/p>\n<p>Janine citou outro estudo recente, elaborado pela Global Alliance For The Future Of Food, indicando que, em n\u00edvel global, apesar de 30% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa estarem relacionadas aos sistemas alimentares, somente 3% dos recursos s\u00e3o investidos para a transi\u00e7\u00e3o desses sistemas para outros mais sustent\u00e1veis e justos. \u201c\u00c9 um ponto de alerta que exige algum tipo de negocia\u00e7\u00e3o com as NCDs, pois h\u00e1 a necessidade urgente de financiamento para a transi\u00e7\u00e3o dos sistemas alimentares\u201d. Ela apontou, ainda, a quantidade de agrot\u00f3xicos presentes nos produtos ultraprocessados, que est\u00e3o nas prateleiras dos supermercados. \u201cA sa\u00fade p\u00fablica precisa estar acima dos interesses comerciais\u201d, sentenciou, dizendo que a transi\u00e7\u00e3o urgente dos sistemas alimentares mais saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis exige articula\u00e7\u00e3o entre diferentes atores, a\u00e7\u00e3o intersetorial e um olhar sist\u00eamico baseado nos direitos humanos \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada. As a\u00e7\u00f5es do IDEC est\u00e3o organizadas em cinco dimens\u00f5es: neg\u00f3cio (englobando impactos das commodities na soberania alimentar); abastecimento (fome e desigualdade de acesso a alimentos saud\u00e1veis); ecol\u00f3gica (interconex\u00f5es entre seguran\u00e7a alimentar e nutricional com quest\u00f5es de agrot\u00f3xicos, presentes, inclusive, nos alimentos ultraprocessados e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas); sa\u00fade (principalmente no que tange ao consumo de carne e alternativas como carne de laborat\u00f3rios, produtos plant-based e inser\u00e7\u00e3o de insetos na dieta); e governan\u00e7a (no endere\u00e7amento de crises que se sobrep\u00f5em, como a da fome e da obesidade, assegurando a institucionaliza\u00e7\u00e3o do sistema de seguran\u00e7a alimentar e nutricional\u00a0 no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No evento, foi apresentado tamb\u00e9m um filme, lan\u00e7ado pelo IDEC, que trata da sindemia global, nome dado \u00e0 sobreposi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas crises: a da fome, a da obesidade e a das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nos \u00faltimos anos, essas crises foram agravadas ainda mais pela pandemia da COVID-19. \u201cEstamos falando de um dos maiores desafios da sociedade e do meio ambiente, e a solu\u00e7\u00e3o passa pela transi\u00e7\u00e3o dos sistemas alimentares \u2013 a maneira que os alimentos s\u00e3o produzidos, distribu\u00eddos, ofertados, comercializados e consumidos\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Grupo de organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na realiza\u00e7\u00e3o do Painel:<\/b><\/p>\n<p>\u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Iyaleta<\/p>\n<p>\u2013 Greenpeace Brasil<\/p>\n<p>\u2013 C40<\/p>\n<p>\u2013 Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/p>\n<p>\u2013 GT Clima e Oceano do Observat\u00f3rio do Clima<\/p>\n<p>\u2013 Fundo Agroecol\u00f3gico (FUA)<\/p>\n<p>\u2013 WWF-Brasil<\/p>\n<p>\u2013 Centro de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV)<\/p>\n<p>\u2013 Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)<\/p>\n<p>\u2013 Grupo Carta de Bel\u00e9m<\/p>\n<p>\u2013 Federa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os para Assist\u00eancia Social e Educacional (Fase)<\/p>\n<p>\u2013 Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos (Inesc)<\/p>\n<p><b>A \u00edntegra dos dois pain\u00e9is est\u00e1 dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/agenda\/ambicoes-e-desafios-para-a-adaptacao-v\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neste link<\/a>.<\/b><\/p>\n<p>Todos os eventos foram gravados e est\u00e3o dispon\u00edveis em portugu\u00eas e ingles no website do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/\">Brazil Climate Hub<\/a>.<\/p>\n<p>#brazilclimateactionhub #cop27 #climaesociedade<\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisadora Aline Carvalho, do Sa\u00fade Planet\u00e1ria Brasil e do Sustentarea\/USP, dividiu o painel sobre adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com representantes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil Publicado em https:\/\/www.brazilclimatehub.org\/ambicoes-e-desafios-para-a-adaptacao-no-brasil\/ &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; No \u00faltimo ano, foram registradas 800 mortes por desastres naturais no Brasil, segundo levantamento da Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Iyaleta. As popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas no campo e<a href=\"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/sistemas-alimentares-e-sindemia-sao-tema-de-debate-na-cop27\/\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[3,8,4],"tags":[35,36],"class_list":["post-1841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaques","category-events","category-news","tag-cop","tag-cop27"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1841"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1842,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1841\/revisions\/1842"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/saudeplanetaria.iea.usp.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}